segunda-feira, dezembro 26, 2005

Filosofia insone

Incrível como amadurecemos em pouco menos de dois anos. E como nos tornamos mais reservados, ou diametralmente opostos a isto, ou simplesmente equilibrados. Tecnicamente, a equidade representa a perfeição. O ponto neutro onde não há vestígio de briga entre os sinais matemáticos. Tudo se ajeita com uma plácida perfeição. Mas a placidez é tão frágil que pender e tender é quase inevitável. Realmente, eu diria que é apropriado manter-se no centro do plano cartesiano. Mas não saudável. Não totalmente. Não sempre. É enlouquecedor manter os nervos, as emoções, os sentimentos e alguns pensamentos irracionais sob controle all the time.

Supondo que consiga realizar este feito (e se você realmente conseguir, eu concordo em te conhecer). Depois do período de insanidade (certamente existe um) que você atravessou a fim de manter-se em harmonia com o resto do mundo (eu entendo que queira sair comigo, mas não precisava chegar a tanto... ¬¬'), você se torna... neutro. Matematicamente, zero. Zero. Um algarismo tão insignificante para os romanos que eles não tinham um símbolo para ele. Ok, os romanos não são exatamente um grandioso exemplo de criatividade (os deuses deles não são deles), mas eram argutos, e... isto não importa. Eles ferraram-se há séculos. E a culpa não foi do zero.

Voltemos ao zero frio... à vaca... oh, como queira. Adentrado o mundo misterioso da neutralidade, você perde parte de sua humanidade. Ah sim, pois somos seres dotados de razão e paixões, desejos secretos e ardentes e consciência (aquela voz que se parece muito com a sua mãe, mas que tem acesso direto a todos os seus pensamentos obscuros - brr... imagine se sua mãe também tivesse esse poder - oh desastre). E alcançada a plenitude (segundo os filósofos gregos --> equilíbrio entre mente e corpo - de um modo tão sucinto que até ofende), o que resta senão... nada? O que há para combater? Seus dois leões interiores são amigos íntimos. Eles não te perturbam mais com perrengues desimportantes (ou importantes). Ok. Você sabe, é como a história do príncipe encantado, que jura te salvar de todos os perigos, e conquistar todos os reinos, e matar todos os dragões, e etc etc e tal. Mas... e depois? Depois que não houver mais perigos, nem reinos livres, ou dragões? É exatamente isso. Depois que se atinge o ápice da calmaria, depois que a corda para de balouçar, e o vento não exerce mais a menor influência sobre sua segurança... é quase como se não houvesse mais vida a ser explorada, descobertas a serem feitas, caminhos e trilhas a serem construídos por você.

Oh, forget it. I need sleep. Sometimes I'll want (or wish) be like Carolina and post old texts to open a new blog. Ah, fuck off... Damn the little sad moment. ¬¬ I'm so much better that this. =P

Felicidades para todos os gatos gotejantes que apreciam este inigualável journal.

domingo, dezembro 25, 2005

Merry Christmas!

Às vezes eu entro em modo mau. E isto é assustadoramente cômico, de certa forma. E terrível. Porque eu me sinto claramente à vontade nesta versão sádica. Não é como se eu quisesse me divertir às custas da dor alheia. It's just... como se poder, e não sangue, circulasse em minhas veias, e eu me pego admirando esta sensação. De fato, gostando dela. E nestes dias estranhos meu poder de ferir as pessoas que se atrevam a cruzar meu nada doce caminho aumenta exponencialmente. E aquilo que parece ser um dom natural, quando elevado a alguma potência aleatória, torna-se devastador. São períodos negros. Ocasionalmente, literalmente negros. Deixem-me explicar: minha cor favorita é preto. Metade (mais?) das minhas vestes é de um negro tão profundo e cru quanto a noite sem lua, ou, para ser mais clara aos que me conhecem pessoalmente, quanto meus cabelos em dias assim. O contraste com minha pele morena clara (quase pálida-anêmica, como insiste minha mãe) é evidente, eu me vejo envolta por uma atmosfera fria e tão ausente de cor quanto minhas roupas.

Sarcasmo, ironia, língua extremamente afiada e ferina e mau-humor são adjetivos tão familiares para mim desde que descobri que Descartes estava certo que identificar de imediato o início de uma temporada sombria não era tão fácil, até eu descobrir um sentimento novo, um que definitivamente não constituía meu temperamento normal: crueldade. Mesmo leve, ela se fez notar. E eu tive medo. Medo de que ela se instalasse para não mais sair, medo de me tornar algo que eu sempre desprezei. Um ser sem escrúpulos, insensível. Completamente insensível, devo esclarecer. Afinal, sou um pouco gelada. But just a little.

Sentir prazer em ferir, machucar, magoar profundamente a pobre alma que se atrevesse a me desafiar. A me olhar nos olhos e me desafiar aberta ou veladamente. Completamente sem sentido, não é? Pois é. Mas meus dias escuros são (ou eram) assim. Digo eram porque no dia em que praticamente pude observar um pedaço de alguém que me amava (ama?) dilacerado pelas minhas palavras tão amargas e venenosas... desesperadamente eu juntei todos os traços tão latentes de senso, justiça e bondade que existem em mim e forcei o lado negro da força (momento Star Wars) para dentro, e eu devo ser realmente uma pessoa calculista, dotada de uma incrível racionalidade e de grande força de vontade, além de possuir um amor muito forte (ainda que bem escondido) dentro do peito... porque eu consegui, em minutos, e eu devo dizer que foram menos de cinco, me livrar daquela escuridão opressora e angustiante. E, hohoho, eu pedi desculpas. Ah sim, este fato memorável deveria estar registrado em algum local importante. Veja bem: além de me livrar da minha irritante porção Sith, eu engoli e digeri o meu (acariciado, polido e gigantesco) orgulho e pedi perdão à amável figura visivelmente impressionada e abalada pelos meus últimos comentários, a maioria direcionada à sua pessoa e seu comportamento. Provavelmente algumas verdades foram ditas entre as alfinetadas por mim lançadas, mas não necessariamente precisavam do todo aquele tom gélido e cruel, cortante e maldoso, graciosamente (meu ponto de vista) sarcástico e horrivelmente doloroso (para ele).

Anyway, because of him I'm better now. Today. Faz algum tempo que não vislumbro The Dark Side. Infelizmente hoje (oh céus... justo hoje... eu vou me conter, eu vou me conter, eu vou me conter) ele deu as caras, ou melhor, o nariz. Eu vou me conter. Eu vou me conter. Eu VOU me conter. A menos que aquela desagradável loira (ser insuportável e falso) resolva abrir a boca e emita alguma babaquice estúpida e idiota e imbecil e, 'course, insignificante e desnecessária em forma audível. Não vou estragar este dia especial para os que são objeto do meu (raro) afeto. Do meu profundo (no sentido de situado na extremidade mais distante de um ponto, considerando a distância reta entre dois pontos) amor. Escondido, mas potente. Wow. Quase pude sentir algo quente passeando pelas minhas veias. Oh. Pausa para Momento Mágico. Oh. Ok, fim do Sentimento Nobre e de volta à minha fina e natural ironia, ao sarcasmo comedido e à costumeira impaciência. Oh damn... I love me. Hohoho. Feliz Natal e um ótimo, excelente e maravilhoso ano novo para quem ler este post (3 gatos pingados). Para quem não ler, bem, isto não faz absolutamente sentido, mas... desejo a mesma coisa. Ok, chega de baboseiras. That's all folks. Enjoy the Christmas, and remember what its really signified... =]